Se não temos, durante a vida corpórea,
uma lembrança precisa daquilo que fomos, e do que fizemos de bem ou de mal em
nossas existências anteriores, temos,entretanto, a sua intuição. E as nossas
tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado, as quais a nossa
consciência, — que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer as
mesmas faltas — adverte que devemos resistir.(Allan Kardec)
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Foto meramente ilustrativa - Google images |
Fiquei consciente que estava fora do corpo quando cheguei perto de uma
escadaria de uma bela casa, fui invadida por um pensamento nostálgico e logo
senti uma tristeza e fiquei ali parada pensando, quando uma senhora passou por
mim e pediu pra conversamos sentadas em duas cadeiras que estavam naquele
ambiente. Ao sentarmos, ela perguntou se eu gostaria conversar sobre o que eu
estava sentindo. Mas eu preferi dizer que estava tudo bem, evitando
compartilhar inutilmente problemas íntimos. Ela continuou dizendo que era nobre
da minha parte não querer importunar as outras pessoas com problemas pessoais. Pois
há pessoas que se aproveitam drenando energia dos outros se passando por
coitadinhas e se inferiorizando o tempo todo, ignoram o fato de que ser um
fardo não é vantagem alguma.
Ela comentou que ela estava presente quando eu fui embora(talvez
rememorando o dia que reencarnei ou o dia do meu desencarne passado), mas que o
conhecimento dos mecanismos espirituais os auxiliaram naquele dia. Neste
momento ela colocou em minhas mãos uma fotografia... dizendo que era do início
do século XX.
Era uma fotografia antiga, de um menino sentado numa cadeira, bem
vestido com roupinha branca cheia de botões, meias cobrindo toda a perna e
calçado também branco. Era realmente uma foto tirada no início do século
passado. Esta criança estava vestida como a burguesia daquela época, na
fotografia monocromática. Mas olhando além das vestimentas dava pra notar um
tom esnobe naquele rosto infantil, com o queixo apontando para o alto. Com essa
foto em mãos, perguntei se aquela criança era eu. A resposta foi positiva e
refletindo um pouco, deixei aquela foto de lado e falei calmamente que não sou
mais esta pessoa, falei que me renovei e se hoje eu fosse abastada
financeiramente como fui outrora praticaria mais a caridade. Na verdade, o meu
desejo é não ter mais que olhar para trás e ter conhecimento dos meus erros de
um passado não muito distante. Pedi àquela alma que me viu partir e sentia
pesar pela separação, que se sentisse feliz, pois se hoje estou um pouco melhor
que ontem, é graças à bênção da reencarnação e graças às provas que passei. Sua
expressão foi de anuência e resignação, pois há coisas que não podem retroceder
e nem devem, temos que seguir como um avião sem poder dar marcha ré.
Fui voltando ao corpo físico como alguém que adormece conversando, comentando
ainda que hoje o aspecto material da minha existência não está tão ruim, pelo
menos nunca passei fome ou dificuldades maiores. E meus pais, mesmo com certas
limitações, nunca me deixaram faltar o necessário.
Rogo a
Deus que eu volte para casa, a pátria espiritual, realmente melhor do que quando parti.
Que a
saudade dê espaço somente para alegrias num reencontro feliz desta vez.
Obs:
Esta não foi a primeira vez que vislumbrei algo do meu
passado através das experiências extracorpóreas. Amigos que me auxiliam na
caminhada começaram a me esclarecer sobre a vida anterior quando eu já estava
bem preparada para saber de coisas que em outra situação eu não poderia
compreender nem suportar a carga de culpa e emotividade negativa que algumas
lembranças poderiam causar.
Se todos analisarem suas más tendências, sua virtudes,
suas dificuldades presentes e suas facilidades ou bênçãos desta vida, poderiam
através do estudo consequência chegar até à causa. Contudo, na maioria dos
casos é melhor não lembrar.
Pelo menos para mim não foi bom e nem reconfortante, a
vantagem que percebi nisso foi a minha resignação perante as dores desta existência.
Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente
a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não
obstante, tem.,às vezes, uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser
reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade
dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais
para satisfazer uma curiosidade vã. (Allan Kardec)
3 comentários:
Muito interessante.
Discordo da afirmação de Kardec, transcrita no início, sobre nossa consciência. Considerem que o espírito ou a alma nada tem em comum com a consciência. A consciência não está no corpo (nos neurônios do cérebro) e quando há uma expansão da consciência todos os nossos paradigmas são modificados. Achei bom e interessante o texto/relato.
Discordo da afirmação de Kardec, transcrita no início, sobre nossa consciência. Considerem que o espírito ou a alma nada tem em comum com a consciência. A consciência não está no corpo (nos neurônios do cérebro) e quando há uma expansão da consciência todos os nossos paradigmas são modificados. Achei bom e interessante o texto/relato.
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